04/01/2019

Infraestrutura é desafio para o avanço do agronegócio

Vias precárias e falta de investimentos prejudicam o transporte de produtos e afetam as exportações nacionais.

De um lado, uma produção agrícola surpreendente, que torna o Brasil o segundo maior exportador do mundo; de outro, um sistema de transportes dependente de estradas, algumas sem asfalto, e com escassas redes ferroviárias. O cenário é problemático para o país, que vê os números de safras aumentarem dentro das propriedades, mas enfrenta o desafio de ter sua produção escoada na mesma escala. 

Um dos principais obstáculos é justamente a falta de uma logística proporcional à demanda, que não acompanha o crescimento do agronegócio. De acordo com o levantamento da Confederação da Agricultura (CNA), o setor foi responsável por 23,5% do Produto Interno Bruto nacional em 2017, a maior participação em 13 anos. Apesar disso, o governo tem investido pouco mais de 2% de seu PIB em novas estradas, portos e ferrovias durante os últimos vinte anos, número que deveria alcançar entre 4 e 5%, segundo pesquisas da Confederação Nacional da Indústria (CNI).

Responsáveis por 61,1% da carga transportada, as rodovias enfrentam problemas básicos como buracos, congestionamentos e lama, o que atrasa entregas e eleva custos. A maioria das vias mais precárias do país se encontra nas regiões Norte e Centro-Oeste, justamente locais que contam com poucas opções de trajeto. Modais como o ferroviário e o hidroviário, recomendados por serem econômicos, mais limpos e com capacidade maior, são ainda minoria no país. Segundo dados do próprio governo, o custo de frete por trilhos equivale à metade do rodoviário.

A recessão econômica também fez diminuir os investimentos públicos no setor. Para contornar o problema, parcerias com iniciativas privadas e concessões estão se tornando mais frequentes nos planos governamentais. Em 2016, foi lançado o Programa de Parcerias de Investimentos (PPI), que inclui projetos de aeroportos, rodovias, terminais portuários e ferrovias. Por sinal, a rede de estradas de ferro planeja crescer nos próximos anos com a iniciativa. Estão em pauta projetos como o Ferrogrão, que quer conectar a produção do Centro-Oeste com a região portuária do Pará. O trajeto será colocado em leilão ainda este ano e tem previsão para ser construído já em 2020. Também devem sair do papel a Ferrovia Norte-Sul (FNS), com trecho que ligaria o Tocantins a São Paulo, e a Ferrovia de Integração Oeste-Leste (FIOL), que escoaria a produção de grãos e minérios do território tocantinense até o litoral baiano, no Porto de Ilhéus. 

Segundo estimativas do Plano Nacional de Logística e Transportes (PNLT), o Brasil precisaria arrecadar, até 2031, investimentos em torno dos R$ 423,8 bilhões para sua infraestrutura. O número assusta, mas o retorno seria imediato -- tanto para produtores quanto para consumidores. Com uma rede de transportes mais eficiente, intermodal e limpa, o país tem potencial para se tornar o maior exportador do setor do mundo.