28/02/2018 - Urbanismo

OS DESAFIOS DE INFRAESTRUTURA DE CINCO CAPITAIS

 

As grandes regiões metropolitanas brasileiras, à semelhança de suas equivalentes no mundo, vivem o desafio perene de crescer e se manter viáveis, enfrentando pressões que vão da falta de investimentos à priorização equivocada na gestão dos recursos. O que se tem observado no decorrer das duas últimas décadas, porém, é uma crescente racionalização no trato das perplexidades trazidas pela urbanização intensa. Para o engenheiro e doutor em logística Paulo Resende, coordenador do núcleo de infraestrutura e logística da Fundação Dom Cabral, a evolução recente é notável. “Nunca foi tão evidente a importância da mobilidade urbana quanto nos últimos anos. Quando se fala em infraestrutura de transportes, estamos hoje entre os países emergentes, deixando no passado nossa condição de subdesenvolvidos”. Mas, lembra Resende, “se deixamos o primeiro vagão do comboio subdesenvolvido, temos que aceitar que  ainda ocupamos os últimos entre os emergentes. Há muito o que fazer para avançarmos ainda mais”.

Cenário atual: A região metropolitana de São Paulo conta com o aeroporto mais movimentado do país (Cumbica) e a quinta ponte aérea mais movimentada do mundo (entre Congonhas, em São Paulo, e Santos Dumont, no Rio de Janeiro), além de acesso fácil ao maior porto da América Latina, em Santos. A rede de metrô da capital paulista é a maior do Brasil e tem 80,4 quilômetros de extensão, com 72 estações. Há ainda 2,3 quilômetros de monotrilho e 238 quilômetros de corredores de ônibus. A rede de trens metropolitanos tem 260,8 quilômetros, 92 estações e atende 22 municípios.

Diagnóstico: São Paulo sofre com congestionamentos diários, que afetam diretamente a economia. Inaugurada em 1974, a rede de metrô é pequena se comparada com as de outras metrópoles de porte semelhante mundo afora. Boa parte da rede de trens metropolitanos carece de revitalização. O sistema de ônibus, quase sempre saturado, é o meio de transporte público mais utilizado. Entre as viagens motorizadas (de automóvel, caminhão, motocicleta ou transporte coletivo), as individuais correspondem a 46% do total.
 
Projetos em andamento: No metrô, a segunda fase da Linha 4 - Amarela foi retomada em agosto de 2016. A Estação Higienópolis-Mackenzie foi entregue em janeiro e ainda em 2018 devem ser inauguradas mais duas, Oscar Freire e São Paulo-Morumbi. A Estação da Vila Sônia está prevista para 2020. A expansão da Linha 5 - Lilás também deve ser entregue em 2018. Estão em andamento as obras da Linha 13 - Jade, que ligará o Aeroporto de Guarulhos à Linha 12 - Safira; da Linha 15 - Prata, entre Oratório e São Mateus; e da Linha 17 - Ouro, do Aeroporto de Congonhas às Linhas 5 - Lilás e 9 - Esmeralda.
 
Projetos previstos: A prefeitura anunciou a construção de 72 quilômetros de corredores de ônibus até 2020. Isso significa um aumento de 30% no número atual. A extensão da Linha 9 - Esmeralda, entre Grajaú e Varginha, deve ser retomada em 2018. O leilão do Trecho Norte do Rodoanel – obra de infraestrutura extremamente importante por retirar parte do tráfego das marginais – ocorreu em janeiro de 2018. 
 
Projetos necessários: Estão parados os planos de expansão da Linha 2 - Verde do Metrô no sentido leste, entre a Vila Prudente e a cidade de Guarulhos; e da Linha 6 - Laranja, entre Brasilândia e São Joaquim. O monotrilho que ligará o ABC paulista às Linhas 10 - Turquesa e 2 - Verde, chamado de Linha 18 - Bronze, depende da contratação de um empréstimo por parte do governo do estado.

Cenário atual: A capital fluminense recebeu uma série de obras de infraestrutura de transportes por causa, principalmente, das Olimpíadas de 2016. Às vésperas dos Jogos, foram inauguradas linhas de sistema de trânsito rápido de ônibus (BRT) e veículos leves sobre trilhos (VLT), além da Linha 4 do Metrô. O Rio conta atualmente com três linhas de metrô, com 57 quilômetros de extensão e 41 estações, na qual circulam 810 mil pessoas por dia. A travessia para a cidade de Niterói pode ser feita pela ponte, com 13,2 quilômetros de extensão ou pelas barcas.  
Diagnóstico: Uma das principais críticas às obras de infraestrutura de transportes inauguradas às vésperas das Olimpíadas é o fato de elas não atenderam alguns dos locais com maior gargalo de trânsito, como a Área de Planejamento 3, na Zona Norte, onde estão aproximadamente 37% da população da cidade. A estrutura metroviária é em formato linear – a Linha 4, por exemplo, funciona como uma continuidade da Linha 1. Não há cruzamentos e as integrações são mínimas. 


Projetos em andamento: A Estação Gávea, da Linha 4, está em construção e deve ser inaugurada este ano.
Projetos previstos: Há duas linhas de metrô planejadas para a região metropolitana do Rio de Janeiro: a 3, com 42 quilômetros de extensão e 18 estações, que irá o Centro de Niterói a São Gonçalo, com extensão prevista até Itambi e Visconde de Itaboraí; e a 5, com 10 quilômetros de comprimento e oito estações, que irá ligar a Zona Sul da capital ao Centro.


Projetos necessários: Além das linhas que chegariam às áreas não atendidas pelo Metrô, uma reivindicação antiga é a ligação da Estação Gávea, por baixo do maciço do Corcovado, até a Estação Uruguai, fechando o que seria o primeiro anel metroviário na cidade do Rio de Janeiro. 

 

Cenário atual: A primeira capital do país, fundada em 1549, teve sua operação de metrô inaugurada em 2014. Hoje, as duas linhas têm 29 quilômetros de trilhos e 19 estações. O trem de subúrbio funciona atualmente com 13,5 quilômetros de extensão e 10 estações. Entre 2013 e 2016, foram construídos 116,7 quilômetros de ciclovias. 
Diagnóstico: Mais de 65% dos deslocamentos motorizados são feitos em transporte coletivo. É uma proporção considerada boa. Mas a particularidade de Salvador apresenta um problema: pelo menos 50% das viagens duram mais de uma hora e meia.


Projetos em andamento: Em fase de testes, a inauguração da Estação Aeroporto do Metrô está prevista para fevereiro de 2018. Até dezembro de 2019, a cidade deverá ganhar mais 80 quilômetros de ciclovias.
Projetos previstos: As duas linhas do Metrô irão passar por expansão. A Linha 1 vai ganhar duas novas estações (BrasilGás e Águas Claras/Cajazeiras) e a Linha 2 vai ganhar uma nova estação em Lauro de Freitas. Com a expansão, o sistema de metrô chegaria a 42 quilômetros de extensão e 23 estações. As obras da linha do sistema de trânsito rápido de ônibus (BRT) que ligará as estações da Lapa e Iguatemi devem ser iniciadas em fevereiro de 2018
Projetos necessários: A transformação do atual trem de subúrbio em linhas de veículo leve sobre trilhos (VLT) é um projeto essencial, mas vem sofrendo constantes adiamentos por causa de problemas com a Justiça. Para diminuir o tempo gasto em viagens, há estudos para se criar novas centralidades, com oferta de comércio e serviços em outras regiões da capital baiana.  

Cenário atual: O Metrô-DF é composto, atualmente, por 42,38 quilômetros de trilhos e 24 estações. As duas linhas são em formato de “Y” e compartilham 19,19 quilômetros. Transportam uma média de 160 mil passageiros por dia. O sistema de trânsito rápido de ônibus (BRT) foi inaugurado para a Copa do Mundo de 2014 – tem 43 quilômetros e 19 estações. Brasília tem ainda 420 quilômetros de ciclovias e ciclofaixas. 


Diagnóstico: Inaugurada em 21 de abril de 1960, a capital do Brasil sofre por causa das grandes distâncias enfrentadas por quem mora em algumas cidades-satélites e a dificuldade de realizar intervenções no Plano Piloto. Segundo um estudo do aplicativo de celular voltado para o setor de transportes, o Moovit, Brasília é, entre as cidades pesquisadas, aquela em que os usuários do transporte público percorrem a maior distância (15 quilômetros, em média). Cinquenta por cento das pessoas percorrem mais de 12 quilômetros por trajeto. Previstas para a Copa do Mundo de 2014, obras do sistema de veículos leves sobre trilhos (VLT) estão paralisadas.
 
Projetos em andamento: Cinco estações de metrô estão em construção. A Estrada Parque Aeroporto está sendo ampliada para receber uma faixa de cada lado a fim de receber ônibus do BRT até o Aeroporto Juscelino Kubitschek. O Trevo Triagem Norte, maior conjunto de obras viárias do Distrito Federal, teve seu primeiro viaduto liberado ao trânsito no fim de 2017. A previsão é que até o final de 2018 toda a obra esteja pronta.


Projetos previstos: O governo anunciou a reabertura da licitação para a expansão do Metrô em Samambaia (3,7 quilômetros e duas estações), em Ceilândia (2,3 quilômetros e duas estações) e até o Hospital Regional da Asa Norte (1 quilômetro a partir da Rodoviária de Brasília e mais uma estação). Mas não há prazo para as obras começarem. Até o fim de 2018, Brasília pretende ter mais de 218 quilômetros de ciclovias.
Projetos necessários: Em maio de 2016, o governo do Distrito Federal anunciou um grande projeto de mobilidade urbana que prevê uma rede integrada de 277 quilômetros entre os sistemas de metrô, BRT e VLT. No lançamento, pouco mais de 110 quilômetros dessa rede já estavam prontos. De lá para cá, no entanto, nada mais foi concluído. Entre as obras da rede está a expansão das Linhas Verde e Laranja até a Estação Terminal Asa Norte, com mais sete estações. 

Cenário atual: A maior parte dos deslocamentos em transporte público é feita na frota de 2.849 ônibus urbanos, que transportam 1,5 milhão de passageiros por dia. A única linha de metrô foi inaugurada em 1986, tem 28,2 quilômetros de extensão, 18 estações na cidade e transporta 230 mil passageiros por dia. A última intervenção relevante foi a implementação do sistema de trânsito rápido de ônibus (BRT), em 2014. A linha tem 23 quilômetros de extensão e os ônibus articulados trafegam por três corredores exclusivos. A cidade tem 83 quilômetros de ciclovias e ciclofaixas. 


Diagnóstico: De acordo com a mais nova versão do plano de mobilidade da capital mineira, lançada em 2017, 57% das viagens motorizadas são feitas de automóvel ou motocicleta – e apenas 43% em transporte público. Se nenhuma atitude for tomada, a expectativa é que a proporção de viagens motorizadas feitas em automóvel ou motocicleta cresça para 71%. 


Projetos em andamento: Em novembro de 2017, a prefeitura assinou um um convênio com a Caixa Econômica Federal para um empréstimo de R$ 120 milhões de reais. Os recursos servirão para a conclusão do Viaduto do Bairro Lagoinha e da Via 710 (que tem 5 quilômetros de extensão e vai promover o acesso entre as regiões Leste e Nordeste da capital), além de intervenções no corredor da Linha Verde e o recapeamento de vias de Belo Horizonte
Projetos previstos: Em 2017, a prefeitura anunciou um plano para criar 34 quilômetros de faixas exclusivas para ônibus. Lançou ainda o projeto de aumentar a extensão de ciclovias e ciclofaixas para 411 quilômetros até 2020. Também planeja implantar bicicletários nas estações do Metrô e do BRT. 


Projetos necessários: Uma das principais demandas da população é a construção de mais linhas de metrô. Há planos de expandir a linha existente até a cidade de Betim, além de construir uma segunda linha ligando a região do Barreiro à Região Hospitalar, e uma terceira que sairia da Savassi e iria até a Pampulha. Mas não há previsão para o início das construções. Outra obra importante seria a criação de uma ligação rápida entre o Aeroporto de Belo Horizonte, em Confins, e o Centro da cidade (distantes cerca de 40 quilômetros).