20/03/2018 - Mobilidade

COMO GRANDES METRÓPOLES SUPERAM OS MAIORES DESAFIOS DE INFRAESTRUTURA NOS TRANSPORTES

As cidades exercem um atrativo e tanto para a população. São nelas que, normalmente, estão as melhores oportunidades de emprego, educação, serviços, cultura e saúde. Não à toa, a cada dia mais e mais pessoas deixam as áreas rurais em direção, principalmente, às grandes metrópoles. Os continentes mais urbanizados são a América do Norte (com 82% das pessoas vivendo fora das áreas rurais), América Latina e Caribe (80%) e Europa (73%). Mas África e Ásia estão se urbanizando rapidamente e as projeções são de que em 2050, respectivamente, 56% e 64% da população dessas regiões viva em cidades. De acordo com o mesmo estudo da ONU, em torno de 12,5% dos moradores urbanos residem em 28 megacidades com mais de 10 milhões de habitantes. São quase 500 milhões de pessoas. Essa concentração traz óbvios problemas, mas também oportunidades. É mais barato e menos prejudicial ao meio ambiente levar infraestrutura de transportes, assim como habitação, energia elétrica, água e saneamento, para locais densamente povoados do que para uma população rural dispersa.


A seguir, veja como cinco cidades, de diferentes dimensões, estão lidando com os desafios da superpopulação. Em comum, todas buscam alternativas ao automóvel – investindo em transporte público, expandindo as ciclovias ou mesmo restringindo a circulação de carros. Também fazem planos a longo prazo, com metas claras a serem perseguidas ano a ano, independentemente do governo. São bons exemplos para as cidades brasileiras, que enfrentam problemas tão grandes ou até maiores.

Em 2007, a prefeitura de Nova York criou o PlaNYC 2030, um projeto que busca preparar a cidade para o crescimento populacional. A ideia é fortalecer a economia e melhorar a qualidade de vida dos moradores. Abrange seis áreas principais – terra, água, transporte, energia, ar e mudanças climáticas –, e 25 agências estipularam objetivos de curto, médio e longo prazo. Na área de infraestrutura de transportes, algumas metas já começaram a sair do papel. De 2007 a 2016 foram inaugurados 117 quilômetros de ciclovias. As barcas do NYC Ferry irão operar em mais de vinte paradas ao longo de toda a cidade e, até 2018, farão 4,6 milhões de viagens por ano em seis rotas. Em janeiro de 2017, a companhia responsável pelo transporte público de Nova York inaugurou a primeira fase da linha de metrô ao longo da Segunda Avenida, com quatro estações, da rua 63 à 96. Na segunda fase, a linha se estenderá até a rua 125.

 

A China é o país que mais constrói linhas de metrô no mundo inteiro. Entre 2009 e 2015 foram 2000 quilômetros. O sistema de metrô de Hong Kong é relativamente novo. Seu planejamento começou em 1967 e a primeira linha foi inaugurada em 1979. De lá para cá, a cidade ganhou 230,9 quilômetros de trilhos e 159 estações, divididas em 12 linhas. Há mais duas linhas em construção, uma com 26 quilômetros de extensão e a outra com 17. Em 2016 foram feitas 1,948 bilhão de viagens e a companhia gestora do sistema se orgulha de uma pontualidade de 99,9%.

Com o objetivo de tornar o automóvel cada vez mais obsoleto, a capital finlandesa estabeleceu um plano para permitir menos carros nas ruas à medida que a população cresça. Para isso, um projeto de mobilidade urbana irá integrar diferentes meios de transporte. A ideia é que os cidadãos não tenham motivos para usar automóveis já em 2025. Por meio de um aplicativo de smartphone, o usuário poderá planejar sua viagem indicando horários, origem e destino, além do meio de transporte preferido: ônibus, bicicleta, táxi, metrô ou trem. O uso pode ser individual ou compartilhado. Já existe um sistema de micro-ônibus que opera sob demanda. O valor da tarifa é maior que a aplicada nos ônibus convencionais, mas menor que a dos táxis, variando de acordo com o número de pessoas que estão no veículo. 

Com menos de 720 metros quadrados de área (cerca de 47% da extensão territorial da capital paulista), a cidade-estado tem uma política bastante restritiva ao uso do automóvel. O imposto para se ter um carro é alto e Cingapura foi a primeira cidade do mundo a cobrar pedágio urbano. O metrô pesado tem 147 quilômetros de extensão e o metrô leve, 29. Ao todo, são 148 estações. Há ainda cerca de 350 linhas de ônibus, que transportam 3,5 milhões de passageiros por dia. De acordo com um plano lançado pelo governo em 2013, até 2030 as linhas de metrô e de veículos leves sobre pneus e trilhos devem atingir 360 quilômetros de extensão, com cinco novos ramais. Com a expansão também do sistema de ônibus, a proporção de viagens em transporte público passaria dos atuais 63% para 75%. 

Cidade mais populosa de toda a Austrália, Sydney conta com duas linhas gratuitas de ônibus que servem centros comerciais e de negócios, além de ciclovias, VLTs, trens metropolitanos e ferryboats. Para longas distâncias, os trens de dois andares são os mais usados. Em 2008, a cidade lançou um plano para construir duas linhas de metrô, que irão complementar as linhas ferroviárias. Estão em obras a Sydney Metro Northwest, com previsão de abertura para o primeiro semestre de 2019; e a Sydney Metro City & Southwest, prevista para 2024. Ao todo, o sistema terá 66 quilômetros de extensão e 31 estações. Há planos ainda para a construção de uma terceira linha. Esse é o maior projeto de transporte público da Austrália e terá capacidade para transportar 40 000 passageiros por hora. O atual sistema de trens suburbanos de Sydney transporta 24 000 passageiros por hora em cada uma de suas linhas.