04/01/2019

Locação de curta temporada muda a dinâmica das cidades turísticas

Plataformas como o Airbnb trazem novos desafios às políticas urbanas de serviços e imóveis

Áreas comuns e vias públicas fazem das cidades espaços a serem compartilhados o tempo todo. Mas, de alguns anos para cá, avanços na tecnologia impulsionaram modelos e projetos colaborativos até mesmo nos locais mais privados, como a moradia. É o caso do Airbnb, plataforma digital que desde 2008 vem mudando o mercado imobiliário com formatos flexíveis, em que o usuário pode alugar apenas parte de sua residência durante curtas temporadas. 

O serviço impactou a hotelaria e o mercado imobiliário, garantindo ainda uma forma de renda extra a todos que incluíssem suas casas no catálogo. Alterou também o fluxo de turistas, atraindo-os a novos destinos e permitindo que vivenciem o dia a dia de determinadas cidades ainda mais de perto, através da hospedagem local. Em muitos locais, o efeito colateral foi o aumento do valor médio dos aluguéis, o que desagradou a população residente e gerou o fenômeno chamado de gentrificação, pelo qual só a parcela de renda mais alta consegue arcar com o custo de permanecer naquele perímetro.

Em Paris, o grande apelo turístico da capital francesa a colocou no topo da lista de variedade de hospedagens disponíveis, com mais de 80 mil endereços. 

A rentabilidade do negócio também fez aumentar o número de companhias especializadas em hospedagem. Em Nova York, terceiro maior mercado no Airbnb, mais de 12% dos anfitriões são, na realidade, operadores comerciais gerenciando múltiplas casas ou quartos. Ao contrário de hotéis, porém, eles não pagam as taxas ou impostos que incidem sobre esse tipo de atividade. Para contornar o problema, governos já estão criando medidas regulatórias. Cidades como Amsterdã, Londres e Paris determinaram em 60, 90 e 120 dias, respectivamente, o período máximo para um imóvel ser alugado por ano. O próprio serviço também já mudou parte de suas políticas, e destinos como Nova York e São Francisco exigem que proprietários ofereçam apenas um imóvel em seu nome.

Quando regulado, o Airbnb apresentará benefícios importantes tanto para as cidades quanto para os cidadãos, como incentivos ao empreendedorismo e maior eficiência dos serviços prestados, através da concorrência. Tributações e receitas geradas a partir destes negócios permitirão a governos financiar redes de transporte capazes de atender à nova dinâmica de moradores e visitantes em espaços cada vez mais compartilhados.