04/01/2019

Mobilidade é ferramenta para reduzir a obesidade nas cidades

Políticas urbanas que favorecem transportes além do automóvel incentivam uma vida mais saudável

 

Apelidada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como a “epidemia do século XXI”, a obesidade é hoje um problema de escala global em rápido crescimento. No Brasil, os últimos dez anos viram um aumento considerável de 60% dos casos e hoje uma entre cada cinco pessoas está acima do peso. Além de hábitos alimentares desfavoráveis e a ausência de uma rotina de exercícios físicos, é cada vez mais frequente a relação entre a obesidade e os índices de mobilidade nas cidades. E sabe-se atualmente que a doença tem como pano de fundo o crescimento urbano focado na dependência do automóvel.

Mas se o sedentarismo é hoje parte do trânsito, políticas públicas de mobilidade ativa parecem estar fazendo a diferença. Também chamada de mobilidade não motorizada, ela engloba meios de transporte que dependem de esforço físico, como bicicletas, skates, patins e andar a pé. Sistemas compartilhados de bicicletas e até mesmo patinetes, já adotados nos Estados Unidos, são exemplos de medidas bem-sucedidas na redução do trânsito e na melhoria da saúde. A prática física diminui não apenas os riscos de obesidade como também de doenças cardiovasculares e diabetes. Segundo pesquisas conduzidas pela empresa de consultoria norte-americana McKinsey Global Institute, o Brasil gastou em 2014 o equivalente a 2,4% do seu PIB com a doença.

Além do incentivo a outros meios de transporte, o próprio desenho urbano das cidades é uma ferramenta eficiente para tornar as viagens mais ativas. Políticas que promovem o uso misto do solo, reunindo comércio, lazer e moradias em uma mesma área, diversificam os espaços comuns e os tornam mais acessíveis. Como resultado, diminuem as distâncias até os serviços e tornam opções, como pedalar ou caminhar, mais viáveis que o carro. 

Ainda que motorizado, a própria rede de transporte público pode ser favorecida, já que seu uso implica em caminhadas até o ponto de ônibus ou estação. O aumento de ciclofaixas e a abertura de vias para pedestres (em determinados dias e horários) também são medidas que garantem mudanças no espaço físico e no comportamento das pessoas. Um estudo realizado pela Universidade de São Paulo (USP), em parceria com a Universidade de Melbourne, na Austrália, apontou que novas ciclovias instaladas na capital paulista aumentam as chances de atrair usuários em 154%.

Ao tornarem viáveis viagens mais rápidas e ativas, deixando de favorecer sempre o automóvel, as cidades influem diretamente em um modo de vida mais leve, barato e, claro, menos sedentário. Convencendo até mesmo os mais céticos, um estudo realizado pela OMS revela que a cada dólar investido na promoção de atividades físicas, outros três são economizados em saúde. Afinal, mais do que um problema de trânsito, a mobilidade já provou ser também uma questão de bem-estar.